Carta de Patrícia Vasconcelos

Um ano após a partida do meu marido amado, no carnaval de 2017 trabalhei junto com os Mestres das referidas nações, com o grupo Voz Nagô e Paz Brandão na concepção de uma linda homenagem à Naná durante a abertura do carnaval, que serviu de cenário para essa celebração cultural, concebida pelo mesmo durante 15 anos consecutivos. Anos de lutas, de sorrisos e de lágrimas. Lágrimas de emoção e de tristeza por cada não recebido na tentativa de dar continuidade ao movimento. Mas a cada não serviu de motivação para a abertura desses caminhos.

Parabéns, Naná. Você conseguiu!

Conseguiu deixar uma célula do seu trabalho com muita dignidade e bravura.

Bravo, bravo, bravo, Naná!

Agora eu, Patrícia Vasconcelos, uma simples mortal no meu luto, luto para que esse movimento e espetáculo das Nações CONTINUE e FRUTIFIQUE, porque Naná viu mais do que a música, Naná viu o outro. O outro que forma as nossas comunidades, o outro que chega do trabalho correndo com sua Alfaia, Abê, Ganzá, etc. para se preparar e mostrar ao mundo a sua dignidade, e sua dignidade vem através da música.

Viva aos Maracatus!

Viva Voz Nagô!

Viva Naná!

E NÃO à desconstrução nesse movimento.

Patrícia Vasconcelos

07 de novembro de 2017

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